Minima Moralia, o estúdio ‘cogumelo’

Foi no mês passado, aquando do London Festival of Architecture, que a dupla Prismontas & Boano apresentou o projecto ‘Minima Moralia‘, um estúdio cogumelo pensado para proporcionar à comunidade criativa um espaço de trabalho a preços acessíveis.

Todos concordam com o facto de que uma comunidade de artistas plásticos, músicos, artesãos, designers e criativos no geral é essencial para a vitalidade de uma cidade e que as indústrias criativas são grandes impulsionadoras das taxas de crescimento, potenciando a criação de riqueza e de emprego – e sendo actualmente responsáveis por empregar em média 1 em cada 5 pessoas na Europa.

Todavia, a especulação imobiliária persiste em colocar o ónus de tal vitalidade nos ombros daqueles que a geram, estrangulando-a. Para combater o fenómeno, os arquitectos Jonas Prismontas e Tomaso Boano conceberam um espaço especificamente pensado para ser o local de trabalho dos criativos de qualquer área, cujos orçamentos sejam limitados.

‘Minima Moralia’ é um estúdio minúsculo que pode ser montado em praticamente qualquer lugar, assim o permitam as condições climatéricas. A sua estrutura é um caixilho de metal em formato de grelha que permite criar módulos de prateleiras e gavetas ou assentar tampos de mesas e bancos, suportar candeeiros, lâmpadas, cortinas, enfim, a imaginação e as necessidades de cada utilizador ditarão a configuração final de cada oficina/atelier. É uma solução para oferecer locais de trabalho dentro das cidades aproveitando espaços comunitários ou privados como pátios interiores, jardins de moradias, terraços de prédios.

ALMANAQUE - Minima Moralia

A viver em Londres, a dupla debruçou-se sobre a problemática do mercado imobiliário nesta capital (que poderá deixar de ser um pólo de referência no diz respeito à fixação de indústrias criativas), mas que se estende a outras cidades, inclusive a Lisboa.

ALMANAQUE - Minima Moralia

Na sua essência, ‘Minima Moralia’ é um estudo sobre o processo subjacente à habitação/ocupação de um espaço: questiona a relação de cada indivíduo com o espaço que ocupa, seja para viver ou trabalhar, e o espaço que o rodeia, seja privado ou público; conduz à gestão do espaço e, consequentemente, obriga à reflexão sobre o que é essencial e o que é supérfluo; expõe a relação de cada utilizador/inquilino com o seu trabalho e com os seus públicos ao optar por revelar ou por cobrir o interior do seu estúdio; finalmente, levanta o problema dos espaços abandonados cujos proprietários não usam nem deixam usar, prejudicando áreas adjuntas circundantes, como se vê tantos exemplos em Lisboa (e possivelmente noutras cidades).

ALMANAQUE - Minima Moralia

Inspirado no livro Minima Moralia, uma dissertação sobre ética e comportamento humano escrito por Theodor W. Adorno, um autor alemão exilado nos Estados Unidos fugido ao regime nazi, este modelo de estúdio é também um manifesto de esperança social.

Fotos (c) Jonas Prismontas & Tomaso Boano

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