Tigres há muitos, assim ilustra Lizzy Stewart

Basta um detalhe mais cuidado ou uma referência que marque a diferença para sabermos que estamos diante de algo especial. Lizzy Stewart e o seu traço característico garantem-lhe um dos lugares dianteiros deste universo da ilustração que é tão vasto e imprevisível.

Mesmo com tantos caminhos possíveis diante de si, Lizzy Stewart deixa-se levar pela definição de ilustradora. «Normalmente, digo ilustradora, sim. Creio que a maioria das pessoas percebe (minimamente) o que implica ser ilustradora. Faço trabalhos muito diferentes, desde capas de livros, banda desenhada, livros para crianças e capas de álbuns, entre outros, por isso não posso ser mais específica: sou ilustradora. Acho que é isto que torna este trabalho entusiasmante».

ALMANAQUE - Lizzy Stewart

Para além de entusiasmante, arrisco-me a dizer também inesperado para quem a segue e observa. Recentemente, Lizzy ilustrou e escreveu ‘There’s a Tiger in the Garden’, publicado pela Frances Lincoln Children’s Book, a história de Nora, uma menina que parte em busca de um tigre no jardim da avó, uma ode à imaginação infinita das crianças – e não só. Estas páginas mostram a constante fluidez de Stewart no seu trabalho e como a sua criatividade não tem fronteiras, indo para além do ornamento desenhado.

Lizzy Stewart completou o bacharelato em Ilustração pela Faculdade de Arte de Edinburgh em 2009 e, em 2013, tirou um mestrado em Design de Comunicação na Central Saint Martins. O seu percurso, desde a primeira investida naquela que é a sua paixão, tem sido em modo freelancer, contando com algumas menções pelo meio, desde um dos It’s Nice That Graduates 2009 e uma nomeação para o British Comic Book em 2013. Sing Statistics é uma editora independente que mantém com o designer Jez Burrows, para além de ser professora associada faculdade de Goldsmiths. Um caminho repleto de cadências de sucesso que nos leva a questionar: haverá, então, lugar para uma identidade apenas?

ALMANAQUE - Lizzy Stewart

«Não sei. Acho que não há uma forma interessante de resumi-lo porque varia imenso. Não tenho apenas um estilo porque cada trabalho requer uma forma ligeiramente distinta de pensar. Por vezes, gostava de ser um desses artistas com um estilo consistente e diferente, mas simplesmente não faz parte de mim! Acho que o que unifica o meu trabalho e o mantém inteiro é uma certa sensibilidade. Uma forma de ver as coisas e um certo interesse na história (isto não é nada único para mim). Acho que, com o tempo, descobri aquelas histórias que quero contar e é isso que passa e fica no meu trabalho, espero».

Acho que o que unifica o meu trabalho e o mantém inteiro é uma certa sensibilidade. Uma forma de ver as coisas e um certo interesse na história.

ALMANAQUE - Lizzy Stewart

No campo da inspiração, muita coisa poderia ser dita. Somos constantemente bombardeados por esta questão que assola e tenta resumir, num momento de fantasia, uma metodologia de trabalho.

«Há tanta coisa boa e é importante olhar para tudo o mais possível. A inspiração pode vir de qualquer lado a qualquer hora, por isso tens de ser aberto a todas as coisas, de todos os ângulos, à exploração e à investigação. Muitas vezes, sinto-me inspirada por teatro, o que tem muito pouco a ver com o que faço. O teatro transporta-me para o coração de uma história e isso é o que mais me fascina. Neste momento, deixei os romances de lado e tenho lido bastantes contos. Reli quase todos os romances de Ali Smith este ano, o que acabou por ser bastante inspirador.Às vezes consigo ter muito boas ideias no autocarro, já que não dá para fazer muita coisa senão olhar pela janela».

Se ainda há muito para desenhar? «Ah! Tanto! Seria muito triste pensar que já desenhei tudo. Acho que a alegria de desenhar é que o potencial é totalmente ilimitado. Podes desenhar tudo o que estiver na tua cabeça! Tento não desenhar cavalos, por exemplo, são demasiado difíceis. Mas, à parte disto, desenho tudo o que for preciso».

Ilustrações (c) Lizzy Stewart

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