Linhas do Tempo, na Fundação Calouste Gulbenkian

Num reencontro único do tempo no tempo e da história na história, a Galeria Principal da Fundação Calouste Gulbenkian convida-nos a viajar ao âmago da sua própria existência através daquela que será, talvez, a exposição mais simbólica alguma vez patente no museu e no Centro de Arte Moderna.

ALMANAQUE - Exposição 'Linhas do Tempo' na Fundação Calouste Gulbenkian

A história desta exposição tem 4 fases e começa a ser fiada em 1896, ano em que Calouste Sarkis Gulbenkian comprou a primeira aquisição, um conjunto de moedas gregas. Este homem, que vivia em Paris para estar mais perto da comunidade artística mais influente da época e para poder usufruir de toda a oferta cultural da cidade, começou então a expressar a sua paixão pelas artes através da aquisição de obras de arte, tendo como critérios a excelência e a beleza das peças.

ALMANAQUE - Exposição 'Linhas do Tempo' na Fundação Calouste Gulbenkian

Esta primeira fase, balizada facilmente entre 1896 e 1955, ano da morte de Gulbenkian, é a da constituição da sua colecção particular que hoje em dia faz parte de todo o espólio do Museu, constituído por esta e pela colecção de arte moderna. É o resultado das suas viagens, do seu gosto pessoal e dos obstáculos que teve de ultrapassar. Ecléctica e única, a colecção é composta por 6.000 peças agrupadas em 12 núcleos temáticos: arte egípcia, arte greco-romana, arte da Mesopotâmia, arte do Oriente Islâmico, arte arménia, arte do Extremo-Oriente, pintura, escultura, artes decorativas, arte do livro e René Lalique.

ALMANAQUE - Exposição 'Linhas do Tempo' na Fundação Calouste Gulbenkian

A segunda fase imiscui-se com a parte final da anterior e diz respeito à busca de um espaço que alojasse debaixo do mesmo tecto todas aquelas obras. A colecção viu-se dividida entre Paris, Londres e Washington, assegurando-se sempre que estivesse em segurança e só depois da morte de Gulbenkian é que o guardião deste tesouro, Lord Radcliffe, tomou a derradeira decisão sobre a futura casa das peças. Respeitando a vontade de Calouste, é criada em 1956 a Fundação e a construção do edifício sede e museu haveria de começar em 1960. Neste mesmo ano, a chega a Portugal a colecção completa do fundador, ficando exposta no Palácio dos Marqueses de Pombal, em Oeiras, até os trabalhos estarem concluídos em 1969.

E a terceira fase é a que tem início na criação da Fundação em 1956 e que se estende até 2016, materializando-se na colecção moderna. Esta foi sendo constituída por peças dos séculos XX e XXI, umas adquiridas pelo fundador ou pela Fundação e outras doadas pelos seus bolseiros e por entidades ou particulares. Em 1983, é-lhe destinado um edifício próprio, o CAM – Centro de Arte Moderna, e hoje em dia conta com cerca de 10.500 obras, com especial ênfase para a arte portuguesa.

ALMANAQUE - Exposição 'Linhas do Tempo' na Fundação Calouste Gulbenkian

Finalmente, a última fase é a da exposição em si. Sob a curadoria de Penelope Curtis, João Carvalho Dias e Patrícia Rosas Prior, foram seleccionadas 150 peças de ambas as colecções que servem de “porta-vozes” a todo este enredo que, afinal, é uma narrativa aberta.

Linhas do Tempo é, pois, muito mais do que uma mera exposição: é a história de um homem, de uma fundação e museu, de artistas e de obras de arte, de civilizações e de culturas; é um olhar, um encontro e uma conversa; é uma ponte e uma travessia. Até dia 2 Janeiro de 2017.

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