Tendência: Less is more – o paradigma da qualidade

Demasiado, demasiado de tudo e, no entanto, tão pouco do que é realmente necessário, essencial à existência. Atingimos o ponto de saturação, em que comprar e acumular já nos tira o ar, sufoca-nos e rouba-nos a alma. É o tempo da mudança – a era da qualidade.

ALMANAQUE - Less is more - Paradigma da qualidade

A conjuntura económica do final da primeira década e início da segunda do século XXI atirou as sociedades para uma crise quase tão devastadora como havia sido antes a Grande Depressão*. A par com uma cada vez maior e real consciencialização da escassez dos recursos naturais, a falta de rendimentos retraiu o impulso desenfreado de comprar e, ainda que seja difícil deixar para trás os dias gloriosos de consumir sem pensar nas consequências, a necessidade de poupar deu origem a uma nova tendência do consumo.

A filosofia ‘less is more’ tomou as rédeas, aconselhando-nos a comprar apenas aquilo de que realmente necessitamos, refreando o desejo de ter e controlando gastos. Orientou-nos para as escolhas inteligentes e/ou conscientes, em que a qualidade das peças e a sua durabilidade deverão ser as principais características a ter em conta. Alertou-nos para o facto de que os níveis de ansiedade descem quando somos nós que controlamos o que compramos e que o stress aumenta quando são as coisas que nos controlam. Ensinou-nos a estruturar a vida, substituindo métodos de organização da casa por técnicas de redução de desperdícios e de remoção e a adoptar hobbies que nos preencham.

ALMANAQUE - Less is more - Paradigma da qualidade

No fundo, trouxe à memória a nossa essência – porque nem de perto nem de longe somos aquilo que temos e é o nosso “eu” quem nos dá felicidade.

E perante a força desta filosofia, agora damos mais atenção ao detalhe, demoramos mais tempo a escolher, procuramos coisas que reflictam os nossos valores. Queremos sublimar o que somos, sem ostentação mas com criatividade. O básico deixou de significar “standard” ou “pobre” ou “vazio” para ser sinónimo de simplicidade estética, sem maneirismos mas com consciência daquilo que nos rodeia e do que nos faz verdadeiramente feliz.

*Em 1929, assistiu-se à primeira grande crise económica do capitalismo, resultado da especulação financeira que arrastou todos os sectores.

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