‘L’effet aquatique’ na 17.ª Festa do Cinema Francês

Como se de um último suspiro se tratasse, Sólveig Anspach, desaparecida em Agosto do ano passado, lança ‘L’effet aquatique’, um filme leve e meigo que encerra a trilogia que iniciou com ‘Skrapp Út’ e ‘Queen of Montreuil’.

ALMANAQUE - L'effet aquatique - Festa do Cinema Francês

De origem islandesa, Sólveig passou grande parte da sua carreira em França, período no qual realizou, entre outras películas de ficção e de documentário, três filmes com actores recorrentes e quase-fetiche, vulgo Samir Guesmi, Florence Loiret Caille e Didda Jónsdóttir.

Em ‘L’effet aquatique’, Agathe (Florence Loiret Caille) é a professora de natação de personalidade forte que não admite desaforos; Samir trabalha nas gruas e acaba por se cruzar com Agathe em circunstâncias caricatas, acabando por procurá-la na Piscina Municipal de Montreuil onde esta dá aulas. A relação que vemos desenrolar-se entre ambos é enternecedora, entre a teimosia de Agathe e o aparente desconhecimento de Samir na modalidade.

A intimidade entre Samir e Agathe cresce quando os dois quase passam a noite no interior do edifício, cada um com a sua razão. Depois de se transformarem na companhia um do outro, apercebem-se do ruído de alguém a entrar, subindo, então para a prancha de cinco metros, onde se entregam, enfim, à atracção visível que os une. Uma das acompanhantes de Reboute cai à água, inanimada, e é aqui que Samir quebra a sua fachada e salta para salvá-la. Agathe vai-se embora, sentindo-se enganada.

ALMANAQUE - L'effet aquatique - Festa do Cinema Francês

Num aparente segundo acto do filme, as vidas de ambos mudam-se temporariamente para a Islândia, ela para participar num encontro de professores de natação, ele atrás dela. Aqui, reencontram Anna (Didda Jónsdóttir), uma presidente da câmara sui generis, que alterna o posto com Frosti (Frosti Runólfsson), numa clara demonstração do pensamento igualitário da Islândia.

As paisagens de se perder o fôlego inundam o ecrã, muitas delas vistas de um plano superior, enriquecendo, em muito, a fotografia do filme. Samir apresenta-se neste encontro como representante israelita, conquistando todos com um projecto de paz – imaginado no momento – que une Israel e Palestina: The Together Project.

ALMANAQUE - L'effet aquatique - Festa do Cinema Francês

As cenas vão-se desenvolvendo entre Agathe, Samir, Anna e Frosti de forma descontraída mas com vários momentos caricatos que culminam com Samir a ser electrocutado numa máquina de café e a perder a memória. Agathe perdoa-o e deixa-se conquistar de novo, assim como Samir.

Apesar de ficarem muitas pontas sem nó e por explicar, ‘L’effet aquatique’ prima por uma comédia relaxada, despretensiosa e de fácil digestão. Um adeus bonito de Sólveig Anspach que marcou presença na 17.ª Festa do Cinema Francês.

Fotos (c) Festa do Cinema Francês

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