O furacão Islam Chipsy

É em noites inesperadas que a magia de um passo de dança volta a intensificar-se sem medos. Depois de uma falha crassa no Milhões de Festa deste ano, em que a ida para o hotel me custaria o concerto de Islam Chipsy, abraço a oportunidade de os ver com grande entusiasmo.

ALMANAQUE - Islam Chipsy - Zé dos Bois

A noite de 28 de Julho ficou marcada por muita coisa, mas, na minha memória, resta o calor quase infernal – pela positiva – que se fazia sentir na cidade inteira, o trânsito abafado no coração lisboeta e, claro, o concertaço de Islam Chipsy na Zé dos Bois, um tipo simples, honesto, um músico jovem oriundo de um mundo radicalmente distinto daquele a que estamos habituados, um Egipto movediço que se debruça nos ombros deste pop de rua.

O aquário não estava cheio para ver Islam Chipsy, o que facilitou o movimento dos corpos, ainda que nem o ar condicionado tenha conseguido aniquilar as temperaturas tropicais – oh, a quase ironia. Chipsy não quer que a política toque na sua música e é assim que vemos esta debandada de sons, a algazarra psicadélica a ecoar por toda a parte e o órgão que não se safa de socos e bofetadas desta enigmática figura de um Cairo moderno e caótico, que, sem fugir a improvisos, tem a incrível capacidade de colocar um punhado de gente aos saltos.

ALMANAQUE - Islam Chipsy - Zé dos Bois

A energia que sentimos do princípio ao fim deve-se também ao facto de estarmos perante uma parceria de uma telepatia tal que carece de ensaios, uma simbiose ritmada entre Chipsy e os dois bateristas que o acompanham em formato EEK, Khalid Mando e Islam Ta’Ta.

Neste novo disco, ‘Kahraba’, é normal que reconheçamos as sonoridades árabes a cada batida, algo explicado pelas referências da cena Electro Chaabi que se mesclam, a seu tempo, com todo um novo som que Chipsy quer apresentar ao mundo. É isso mesmo: um novo som que só se consegue esclarecer com duas palavras: Islam Chipsy.

Fotos (c) Vera Marmelo

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