Companhia das Culturas: o rosto da tranquilidade em Castro Marim

A serenidade desta quinta em São Bartolomeu, em Castro Marim, feita resort rural é a pedra basilar ideal para dias de ócio. Na Companhia das Culturas, até as árvores cantam com a passagem da brisa algarvia pelos seus ramos.

ALMANAQUE - Companhia das Culturas - Castro Marim

Antes de chegarmos ao magnífico sapal de Castro Marim, onde as salinas se elevam, majestosas, à beira-ria e os flamingos e outras espécies encontram uma casa a rigor, virámos numa rua estreita que nos conduziu à Companhia das Culturas. A porta bem sinalizada segue as linhas do muro relativamente baixo, revelando um traço arquitectónico típico das casas da região e deixando no ar uma promessa de tranquilidade.

ALMANAQUE - Companhia das Culturas - Castro Marim

O silêncio e as noites imensamente estreladas da Companhia das Culturas completam este cenário digno de um enquadramento perpétuo

O primeiro passo no interior traz ao de cima a fase de enamoramento: a piscina de água salgada reluzindo com os raios de sol que ainda resta do dia, o jardim envolvente, o pátio que serve como ponto central do labirinto entre os quartos, a sala de estar e o bistro, a sala da cortiça com os seus portões de ferro fundido, a natureza que parece não querer passar despercebida, de todo – e não passa mesmo.

Antes de nos instalarmos, houve ainda tempo para uma visita ao hamam, construído num edifício do outro lado da rua, a apenas alguns metros. Aqui é possível relaxar ao final do dia no banho turco, na sauna ou na sala de massagens e outros tratamentos. O interior é maioritariamente em mármore, culminando numa cúpula com pequenos orifícios que cobrem a sauna de pontos de luz quase celestes.

ALMANAQUE - Companhia das Culturas - Castro Marim

De volta à Companhia, e depois de dois dedos de conversa com Alexandra e Eglantina, a proprietária, seguimos caminho por um estreito corredor a céu aberto que nos levou ao quarto. Uma parede em pedra, resquício da construção original, prende o olhar logo ao primeiro vislumbre, abrindo espaço, depois, para os restantes detalhes.

Os tons neutros do chão, do tecto em ripas de madeira e das restantes paredes permitem-nos respirar um ar distinto daquele a que estamos habituados. Este é o rosto da tranquilidade, pensámos.

ALMANAQUE - Companhia das Culturas - Castro Marim

As manhãs eram passadas no pátio graças ao pequeno-almoço, que é servido entre as 9h e as 12h, um horário perfeito para quem dá prioridade ao descanso nestes dias pouco agitados.

Os produtos locais saltam à vista, do pão fresco à fruta, das compotas ao sumo natural, sem esquecer o iogurte, o bolo caseiro ou aqueles que são os melhores ovos mexidos que alguma vez degustámos – ou o ambiente intimista e a simpatia de quem nos presenteava diariamente com este manjar dos deuses assim o levaram a crer.

O silêncio e as noites imensamente estreladas da Companhia das Culturas completam este cenário digno de um enquadramento perpétuo, algo que não queremos esquecer tão cedo e que, por isso, recordaremos com saudade.

ALMANAQUE - Companhia das Culturas - Castro Marim

Os dias foram passados a explorar a região, começando pela Reserva Natural da Ria Formosa, que se estende por quilómetros sem fim e que nos concedeu paisagens sublimes e pantanosas. As praias são abraçadas por um mar calmo e previsível, incitando a mergulhos de horas e horas, do Cabeço à Manta Rota, do Barril à Ilha de Tavira.

ALMANAQUE - Companhia das Culturas - Castro Marim

Se há coisa que não pode faltar é provar as iguarias gastronómicas que, em qualidade suprema, se resumem mas não se limitam, claro, a ostras, amêijoas, conquilhas, lingueirão e, claro, peixe tão fresco quanto o mar.

Casa da Igreja (Cacela Velha), Marisqueira Fialho (Luz de Tavira) e Restaurante Ideal (Cabanas) são apenas três sugestões de entre muitos espaços dedicados à arte de bem comer no sotavento algarvio.

Fotos (c) Soraia Martins

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