‘Cézanne et moi’ a abrir 17.ª Festa do Cinema Francês

Na abertura da 17.ª Festa do Cinema Francês, os olhares estiveram postos em Paul Cézanne e Émile Zola, os protagonistas de uma das mais célebres amizades do mundo das artes em plena Paris e Aix-en-Provence, no século XIX. ‘Cézanne et moi‘ é um filme de Danièle Thompson, o seu primeiro de época.

ALMANAQUE - Cézanne et moi - Festa do Cinema Francês

A relação profunda e desassossegada de Cézanne (Guillaume Gallienne) e Zola (Guillaume Canet) é peça-chave neste desenrolar de momentos na vida do pintor e do escritor, um verdadeiro bromance entre Aix-en-Provence e Paris, as suas cidades do coração por razões distintas.

Zola é pobre. Cézanne é rico. A páginas tantas, o caso começa a mudar de figura e Zola aproxima-se da classe burguesa que tanto execrava, para que o seu sonho se realize, ao passo que Cézanne inicia um percurso de fracasso atrás de fracasso – a tragédia da dúvida constante, da insatisfação e da falta de confiança nas suas capacidades arrastá-lo-iam para um poço de mágoa sem fundo que afectaria todas as suas relações, até a de com Zola.

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É entusiasmante assistir, ainda que com poucos detalhes minuciosos e sem a pretensão de um trabalho documental dos artistas, às vicissitudes de figuras históricas que viriam a marcar para sempre a pintura ligada ao pós-impressionismo e a literatura naturalista, acompanhadas, claro está, por outros vultos contemporâneos e de igual importância, como Manet (Nicolas Gaub), Renoir (Alexandre Kouchner), Pissarro (Romain Cottard) e Guy de Maupassant (Félicien Juttner).

Também as mulheres tinham um lugar especial nas vidas deste duo de encontros e desencontros, começando nas suas mães e acabando nas suas esposas e amantes, algumas delas de ambos, como é o caso de Gabrielle/Alexandrine (Alice Pol).

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O filme explora, acima de tudo, a luta de ambos para singrarem nas suas áreas artísticas enquanto amigos e quase inimigos, testemunhando com particular cuidado o declínio de Cézanne – o pintor acabaria por atingir o sucesso apenas em 1895 com a sua primeira exposição a solo – e o progresso de Zola, que o levou a conhecer fama e prosperidade financeira.

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Os cenários de Aix-en-Provence, principalmente, representam as muitas paisagens que descobrimos nos quadros de Cézanne e dos restantes do círculo, com os seus piqueniques à beira-rio, a Montagne Saint-Victoire, os banhos, os passeios de barco, o vinho, a música.

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Em ‘Cézanne et moi’, resta-nos sustentar os altos e baixos desta amizade que acabou quebrada e marcada por discussões e pejo. Uma viagem no tempo a outros tempos de glória pictórica.

Imagens (c) Festa do Cinema Francês

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