Bárbara Fonseca: do preâmbulo à colheita

Depois do convite para ilustrar a capa deste nosso mês de preâmbulos, reinícios, primeiros passos e derradeiras vitórias, eis Bárbara Fonseca para desvendar o que a faz mover.

Para aqueles cuja memória lhes falha, esta não é a primeira vez que Bárbara partilha um pouco da sua vida e do seu trabalho neste nosso compêndio de vicissitudes.

ALMANAQUE - Bárbara Fonseca

Esta jovem designer gráfica e ilustradora residente em Berlim há cinco anos gosta de plantas e de praia e diz ter-se transformado em Veils & Mirrors «quando ouvia uma compilação de músicas estranhas e precisava de um nome. [Veils & Mirrors] pareceu-me misterioso e adequado e acabou por ficar».

Nos últimos tempos, Bárbara tornou-se designer a full-time e isso deixou-lhe sem tempo ou espaço para projectos extra. «No entanto», diz, «essa condição acaba por ser positiva porque, tendo um trabalho de base, tenho liberdade para escolher os projectos em que quero trabalhar mediante apenas os meus interesses».

Um dos projectos mais recentes em que esteve envolvida chama-se Judas Magazine, uma revista que se divide entre o papel e o digital, e que assume uma postura de outcasts que não seguem ideias pré-concebidas e que se dizem apaixonados por moda, entre outras coisas.

«É um projecto que me é muito querido. Tive a possibilidade de pensar toda a linguagem gráfica da revista desde o início e de trabalhar numa área que adoro, design editorial, com conteúdo de qualidade com o qual me identifico».

ALMANAQUE - Bárbara Fonseca

«Estou também a meio de um outro projecto de animação do qual ainda não posso revelar muito, mas que envolve gatos e está a ser super desafiante. Perceber o que está por detrás da magia da animação é muito recompensador e adoro projectos com os quais posso aprender coisas novas».

Depois de alguns anos em Berlim, a questão impõe-se: Berlim é, de facto, uma boa segunda casa? «Não podia estar mais contente. Acho que é uma boa base para voos mais altos. É uma cidade que nos dá espaço e nos deixa ser como somos, e pessoal e artisticamente é muito importante. Exige de nós, mas recompensa o esforço que pomos no nosso crescimento. Por agora, os meus planos são ficar por Berlim, mas quero muito visitar outros lugares».

O panorama artístico berlinense, por seu lado, não podia estar melhor, segundo Bárbara. Mesmo que o esforço a ser investido seja um requerimento para o sucesso — quando é que não o foi ou deixou de o ser? — Berlim dá as boas-vindas a todos os mundos alternativos que se sobreponham às várias realidades que ali se vivem e «as possibilidades existem e estão abertas a todos».

❝ [Berlim] é uma cidade que nos dá espaço e nos deixa ser como somos, e pessoal e artisticamente é muito importante ❞

ALMANAQUE - Bárbara Fonseca

«O meu processo criativo começa sempre com alguma pesquisa acerca do conteúdo do projecto, do cliente, do estilo que melhor se aplica ao mesmo, por aí. Depois passo para a fase do esboço. Não costumo demorar muito tempo, porque quando começo a esboçar já tenho uma ideia do que quero fazer. Todos os esboços são feitos à mão, mas depois disso passo para o Illustrator. Sou péssima a pintar à mão!».

Bárbara diz não ter estudado nem tirado qualquer formação artística dita clássica dentro da área da pintura ou da ilustração — para além da licenciatura em Design de Comunicação — e que, por isso, não tem grandes conhecimentos sobre os materiais e a melhor maneira de os usar. À primeira vista, parece-nos um detalhe que poderia facilmente ser descartado, não fosse haver vontade de saber mais.

«Gostava muito de aprender este tipo de técnicas e vou praticando nos meus tempos livres, mas, para os projectos que têm de ser resolvidos mais rapidamente, fico-me pelo digital».

ALMANAQUE - Bárbara Fonseca

Para a capa do ALMANAQUE, a abordagem passou por plantas e frutos típicos do mês ou da época — algo que apreciamos explorar e que não queremos perder de vista tão cedo — e o tema que lhe deu vida, PREÂMBULO.

«Gostei muito da proposta do tema. Gosto de inícios e de coisas novas. Como adoro plantas e foram-me dadas muitas referências a frutos, pensei que era bonito vermos o crescimento, o processo e o cuidado que está implícito no crescimento de algo saudável e forte. Plantar para colher os frutos, sejam eles quais forem».

O que diria a si própria se estivesse a começar agora como ilustradora? Fácil: «que vai tudo correr bem e para confiar em mim».

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