Anita dos 7 Ofícios: a música faz-lhe bem

PÓ-DE-ARROZ é o tributo merecido à sensibilidade e à força, à robustez que é ser mulher sem desprendimento do feminino, da candura, da destreza. É o elogio que faltava e que preserva agora, aqui.


Vivemos um momento relevante em que o visual quase se impõe inevitavelmente ao escrito e, até, ao tangível em algumas circunstâncias. O olhar justifica o que não podemos tocar com veemência e o desejável conquista-se facilmente com imagens. O trabalho que tem vindo a ser feito pelos instagramers mais influentes em Portugal é significativo e transformou-se já – aos poucos – numa ponte viável entre as marcas e os seus consumidores. Parece redundante, mas não: ainda há muito caminho a percorrer por cá no que diz respeito a presença digital e o céu já deixou de ser o limite.

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A Anita dos 7 Ofícios é uma destas figuras admiráveis que desenvolve um trabalho incrível no instagram e que todos os dias atrai novos seguidores – e já conta com muitos milhares. «Tenho feito fotografia de publicidade para algumas marcas, mas tento filtrar bastante o que faço. O instagram também te exige muito isso. Quer tu queiras, quer não, estás sempre a promover alguma coisa. Vivemos numa época tão visual que o instagram acaba por ser uma ferramenta de trabalho muito importante».

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Mas nem só de sonhos se vive no instagram. «Também me tem trazido muitas quebras no que diz respeito ao sentido ético da fotografia, o uso e a cópia da imagem, o print screen da imagem. Quando te apercebes, a tua ideia já está espalhada por cinco galerias diferentes. Tive de formatar um pouco o meu conceito de ética e pensar que o que ponho no instagram é para o mundo e não vale a pena ficar ofendida».

Quando te atiras de cabeça e não sabes muito bem para onde te estás a atirar, acontece todo o tipo de coisas.

«Mas há muitos momentos em que ainda não percebo como é que isto me aconteceu. Quando fui procurada pela TRANSMISSION para ser embaixadora da Herschel em Portugal no instagram e pela Nixon (Europa), fiquei mesmo a pensar se seria verdade. São vínculos que acabas por formar com uma marca, principalmente porque eles querem que uses os teus produtos, e tu usas. Quero retribuir ao máximo tudo o que me tem acontecido, e fico mesmo muito agradecida».

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Para além destas duas marcas que já mencionámos, a Anita também trabalha com a Licor Beirão que, até há bem pouco tempo, nem conta no instagram tinha, mas apostou nela e em alguns instagramers portugueses para explorar a plataforma e crescer nesse aspecto também.

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«Gostava de chegar a um ponto em que pudesse fazer só gestão de digital media, o que me faria levar o instagram a um novo patamar completamente diferente – talvez não para mim, mas para outras entidades, por exemplo. Há pessoas a viver apenas do instagram e isso é incrível para mim. Fazem viagens só para promover este nosso mundo onde vivemos, e eu adorava fazer isso também. Por enquanto vou fazendo as minhas viagens e mostrando sítios bonitos, e faço toda a questão de o fazer, mas ter essa oportunidade de viajar e de promover um local que amas, ao mesmo tempo que estás a ser patrocinada para o fazer, é o top dos tops. É o sonho».

A minha vida é sempre levada bem devagarinho. As coisas demoram a chegar porque é preciso trabalhar por elas, é a minha realidade. Não vivo com a ansiedade de querer tudo para ontem.

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Quando os ofícios pareciam ser mais do que muitos, a Anita surpreendeu, mais uma vez. «O meu hobby é cantar». Podes repetir, Anita? «Sou vocalista de uma banda, mas, ao mesmo tempo, sou realista ao ponto de saber que sou totalmente amadora». Aqui está uma história que vamos querer ler. «Quando estava na faculdade, levaram-me a uma audição para o coro académico, mas não sabia muito bem o que estava a acontecer. Acreditavam muito mais em mim do que eu. Passei a pertencer ao Coral de Letras e depois entrei no Coro Misto, quando voltei de Erasmus, um dos coros académicos mais relevantes em Coimbra e do qual me orgulho muito».

«Quando cheguei a Lisboa, um colega meu queria criar uma banda de música tradicional portuguesa com influências e acabei por alinhar. Foi delicioso, aprendi imenso, principalmente porque tive de passar a voz para um registo com microfone. Foi um crescimento muito bom durante os dois anos e meio que a banda durou e, entretanto, gravei um EP com uma outra banda de folk, mas cheguei a um ponto em que queria explorar a minha voz de outra forma, com outras músicas que eu ouvia e com as quais me identificava. O irmão de uma amiga, o Márcio de Campos, que é guitarrista e já tinha feito algumas coisas a solo a cantar e a tocar, convidou-me para fazermos um projecto acústico, só nós os dois, de covers. Assim foi: criámos os Unfold».

«No meu aniversário, fizemos um concerto-surpresa, ninguém estava à espera. Serviu, contudo, um propósito importante para mim, que foi agradecer às pessoas que ali estavam presentes para celebrar os meus 30 anos e que são a minha família. A música faz-me bem».

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