A Sociedade e um mar imenso

Da vontade de juntar ao redor de uma mesa algumas vozes com conhecimento de causa sobre o que comemos e os processos associados, A Sociedade deu início a uma série de eventos que propõem isso mesmo: conversar, discutir, desconstruir.

ALMANAQUE - A Sociedade - Um mar imenso

Para que ficássemos a conhecer o mar, seus processos, consumos e características, focámos toda a nossa atenção em ‘Beyond The Sea’ e – garantimos – saímos de lá mais ricas.

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Para muitos, A Sociedade já não será um segredo bem guardado ou território desconhecido. Conhecemo-la há uns meses, quando abriu, e desde então que temos estado bem atentas às novidades que dali emergem, pois sabemos que serão sempre uma mistura bem conseguida de informação e criatividade. Ali aprende-se – e não é pouco. No evento ‘Beyond The Sea’, pudemos participar de uma conversa informal – a primeira de muitas, dizem – sobre o mar, esse bem precioso que tanto fascina como exaspera pelas mais variadas razões.

O intuito é claro: «educar o gosto e mudar atitudes através do conhecimento». Com esta premissa, A Sociedade destaca a comida como um dos bens mais importantes do mundo, sendo que tem de ser «boa e bem produzida». Para que as peças se conjugassem na perfeição, foi necessária a presença de quatro nomes que vivem do mar, ainda que em afazeres distintos.

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De um lado do panorama, David Abecassis, biólogo marinho de voz esclarecida e tranquila, reminiscente de um mar tranquilo de final do dia, que começou por descrever aos presentes o as zonas marinhas, bem como a captura e as principais ameaças à sustentabilidade. Entre estatísticas e o debate óbvio sobre o aproveitamento dos recursos, a prestação de David Abecassis mostrou muitos sinais que podem ser assustadores nos tempos que correm.

Célia Rodrigues, uma mulher frontal, honesta e de sorriso contagiante, dedica-se à produção de ostras há quatro anos com a sua Neptunpearl. Graças, a ela tivemos a deliciosa oportunidade de degustar alguns pratos de ostras: ostras ao natural (ostrea edulis) e ostras giga (crassostrea giga triploide) acompanhadas com limão, vinagrete ou chutney. As plantas holófitas (salicórnia, sarcocórnia, funcho e beldroega do mar) e as algas codium fizeram as vezes de side dish, um inesperado e saboroso complemento que trouxe vida a esta experiência.

Célia é, também, uma fervorosa conhecedora deste mar imenso, falando-nos sobre a nossa costa e as costas pesqueiras, bem como o consumo em Portugal. O tema sempre controverso da aquacultura também veio à baila, como não podia deixar de ser num evento como este, mas também a produção aquícola na UE e no resto do mundo.

Antes deste manjar sublime, porém, Rosa Cunha, dona da banca de peixe mais concorrida do Mercado da Ribeira, conta-nos histórias de outros tempos, descrevendo hábitos de outrora e costumes de hoje, momentos que se unem e outros que se distinguem na totalidade. Com apenas 14 anos, Rosa assume a responsabilidade de comprar, arranjar e vender peixe ao lado da banca da mãe para, mais tarde, aos 23 anos, passar a ter a sua própria banca. Em 2001, nasceu a sua empresa, Rosanamar Lda, fornecedora de um sem número de chefs e foodies em Lisboa.

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O chef André Magalhães, conhecido pela sua Taberna da Rua das Flores, trouxe-nos o que domina na perfeição: Picadinho de carapau, Michelada de ostras e Tártaro de ostras com algas. Só estando presente é possível reter estes aromas e sabores tão frescos que provámos enquanto escutámos as suas palavras relativamente ao futuro do peixe na cozinha, as espécies em voga e como podemos ser sustentáveis a longo prazo.

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Depois desta refeição que em muito contribuiu para o conhecimento e enriquecimento dos palatos dos presentes, houve ainda espaço para a sobremesa da sempre querida chef Maria João Fernandes, Creme de caju e pêssego, com rubras cerejas a acompanhar.

Fotos (c) Soraia Martins

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